Os índios Caetés e Potiguares foram os primeiros habitantes de um dos mais antigos núcleos de colonização do nordeste brasileiro, Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Elevada à categoria de freguesia em 1568, de vila em 1711, de cidade em 1840 e, por várias vezes, a sede da capitania de Itamaracá, Goiana tem uma história marcada pela defesa da liberdade.

Em relação ao seu nome há várias versões para sua origem. De acordo com Sebastião de Vasconcelos Galvão, Goyana é de origem indígena e significa gente estimada. Já Mário Melo aponta que o vocábulo se origina de guaia-na, planta anileira; iguá-anama, semelhante ao que existe na água, charco; guiana, flor de cana. Já outro historiador, Alfredo de Carvalho se refere a guaiana e gua-iãi, porto ou ancoradouro.

Goiana tem sua história marcada pelos movimentos em defesa da liberdade. Foi a primeira cidade brasileira a considerar livres todos os seus escravos, antes mesmo da Lei Áurea, por meio de decreto na Câmara, em 25 de março de 1888. Aqui também, na Aldeia de Itapecerica, aconteceu a primeira assembleia em que os índios solicitaram um governo representativo no País.

Marcada pelo pioneirismo, Goiana foi sede da primeira empresa de transportes brasileira e no campo cultural foi o primeiro município em todo o território nacional a ter uma biblioteca e uma banda de música, a hoje centenária Curica, fundada em 1848. Como afirma Valdemar de Oliveira

(..)] Goiana se distingue no terreno da cultura, da arte, toda ela um relicário – nas suas igrejas majestosas, nos seus cruzeiros de pedra, nos seus lavores de prata e ouro, nos seus arquivos musicais, nas suas entidades culturais, nas suas organizações artísticas, em todas essas coisas que dizem pensamento, cultura, inteligência, primado espiritual. Goiana é uma velha matrona coberta de jóias. Nos dias de festas, põe para fora as suas baixelas, os seus adereços, os seus títulos herdados – tem o que mostrar, tem de que se envaidecer. […]

Importante centro industrial da região da mata norte pernambucana – produtor de cimento, açúcar, cal, algodão, móveis e artefatos de fibra de coco e futura sede de uma importante empresa do setor automotivo, a Fiat – Goiana detém um significativo patrimônio histórico e cultural.

Seu patrimônio arquitetônico religioso inclui igrejas que datam do século 17. Oito delas são tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), desde 1938. Além dos oito templos, também é considerada Patrimônio Histórico Nacional a capela de Santo Antônio do Engenho Novo, situada na zona rural do município, no engenho que pertenceu a André Vidal de Negreiros, um dos principais líderes da luta contra os holandeses

O prédio que abriga a Prefeitura, no centro da cidade, também é um edifício histórico, assim como o casario da vila operária da antiga fábrica Fiação de Tecidos de Goiana (Fiteg), projetado pelo arquiteto João Evaristo no final do século 19 e construído no início do século 20. É um conjunto arquitetônico completo, composto pela casa do gerente, dos operários, do dono, além do clube, onde todos se reuniam para o lazer.

Ainda na arquitetura civil podem ser destacados como patrimônio de Goiana, o prédio do Colégio Sagrado Coração, construído em 1920, localizada no centro da cidade; a sede da Loja Maçônica, também dos anos 1920, e a Escola Municipal Manoel Borba, situada na Praça do Convento Santo Alberto de Sicília do Carmo, que data do século 17 e teve sua construção financiada por André Vidal de Negreiros, o então governador da capitania de Pernambuco.

Além do seu patrimônio histórico e cultural, o município tem uma grande diversidade de recursos naturais: uma orla marítima cheia de praias e enseadas; uma vegetação variada, de mangues, de mata (onde estão localizados seus canaviais) e de savanas; uma área de 186 km2 da bacia hidrográrica do Capibaribe-Mirim-Goiana, com diversos afluentes, entre os quais os rios Tracunhaém, Carrapicho, Tejucupapo e Arataca.

Conhecida como a terra dos Caboclinhos – manifestação folclórica de origem indígena –, Goiana possui grupos seculares como o Caboclinho Caetés, o Canindé, o Carijós, o Sete Flechas, o Tabajara, o Tapuias, que se apresentam durante o Carnaval. As Pretinhas do Congo e a Aruenda – folguedos populares de origem africana, praticados por descendentes de escravos na época do Carnaval – também são manifestações típicas de Goiana, assim como a ciranda e o côco, hoje mais comuns nas zonas litorâneas do município.

Goiana também é famosa pela sua culinária, que atrai pessoas de diversos lugares para conhecê-la. Entre os pratos mais característicos estão o guaiamum cozido em pirão, a galinha à cabidela e o muçum de coco frito, além das iguarias de frutos do mar.

 

 

Fonte: SILVA, Beatriz Coelho. Goiana: uma vila operária cercada por igrejas. Continente, Recife, ano 11, n. 128, p. 48-55, ago. 2011.